O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, anunciou que o Desenrola 2.0 trará uma contrapartida para evitar novo endividamento: quem usar o programa para renegociar dívidas terá o acesso a apostas esportivas bloqueado. Segundo o ministro, a proibição abrangerá operações de aposta por Pix ou cartão de crédito nos chamados “joguinhos”.
A proposta permite que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos utilizem até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas renegociadas. Marinho explicou que a transferência do montante será feita diretamente entre bancos, via Caixa Econômica Federal, e citou exemplos práticos do mecanismo de quitação pelos saldos do fundo.
O ministério estima impacto de R$ 4,5 bilhões no FGTS com o programa; o esboço inclui ainda uma trava de R$ 8 bilhões sobre a saída de recursos do fundo. O desenho prevê descontos que variam entre 40% e 90% sobre os débitos, buscando recuperar parte do crédito sem ampliar a vulnerabilidade financeira dos beneficiários.
Além do efeito direto sobre endividados, a condicionante de bloqueio de apostas coloca questões políticas e operacionais: como será fiscalizado o impedimento e que efeitos terá sobre quem depende do FGTS para liquidação imediata de débitos? A medida reforça o caráter compensatório do programa, mas também tende a gerar debate sobre limites da intervenção estatal na vida financeira dos cidadãos. O lançamento oficial do Desenrola 2.0 está previsto para segunda-feira (4).