O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em Washington que o pacote batizado de Desenrola 2.0 deve ser apresentado ao mercado quando ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornarem de suas agendas na Europa. Durigan disse que encontrará o presidente na Espanha e que o desenho do programa já está avançado, sem, porém, fixar uma data exata para o anúncio.
A principal medida em estudo é permitir a liberação de recursos do FGTS para o pagamento de dívidas das famílias, combinada com contrapartidas estruturais. Entre as opções citadas pela equipe econômica estão restrições a apostas online, parte de um esforço para atacar causas do sobreendividamento, segundo o ministro. A proposta é vendida como alívio para famílias e estímulo ao mercado de consumo.
O caráter urgente da medida decorre de indicadores que mostram deterioração das finanças pessoais: relatório do Banco Central divulgado na segunda-feira (13) sinalizou preocupação com o crescimento do superendividamento; dados da Serasa apontam alta de 38% na inadimplência em dez anos. CNC, Serasa e BC convergem para um quadro de maior vulnerabilidade das famílias, o que pressiona a equipe econômica a agir.
Além do efeito imediato sobre o fluxo das famílias, a liberação do FGTS levanta questões políticas e fiscais. Como instrumento de alívio, pode reduzir tensão social, mas também suscita dúvidas sobre custo ao legado do fundo e eficácia estrutural da solução. O governo terá de combinar impacto de curto prazo com medidas que enderecem causas do endividamento, enquanto monitora reação dos mercados e dos segmentos mais afetados.