O governo federal prepara o Desenrola 2.0, programa de renegociação para endividados que deve ser anunciado ainda nesta semana, segundo o Ministério da Fazenda. Na versão inicial, pessoas físicas poderão usar até 20% dos depósitos no FGTS para abater dívidas bancárias; os refinanciamentos teriam juros abaixo de 2% ao mês e bancos podem oferecer descontos entre 20% e 90% do total.
O desenho inclui travas: beneficiários terão que se comprometer a não contratar linhas de crédito consideradas mais caras, como rotativo e cheque especial, e haverá ações de educação financeira. A proposta será apresentada por fases, com foco inicial em famílias, seguidas por informais e pequenas empresas.
O plano foi discutido em reunião com representantes da Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, BTG e fintechs, além do presidente da Febraban, Isaac Sidney. O Executivo afirma haver consenso setorial, e prevê que a garantia pelo FGTS será limitada a um percentual do saque e vinculada ao pagamento das dívidas incluídas no programa.
Especialistas e setores produtivos já alertaram para riscos. A Abrainc teme que a medida desvirtue a finalidade do fundo e prejudique o setor habitacional; analistas apontam perda do 'colchão' dos trabalhadores. O argumento governista de alívio imediato às famílias enfrenta, assim, um dilema político e econômico: reduzir a pressão sobre orçamentos domésticos sem comprometer a política de habitação nem as reservas do FGTS, num momento em que o endividamento das famílias alcançou 49,9% e o comprometimento de renda, 29,7%, recordes segundo o BC.