O Palácio do Planalto confirmou a data: o Desenrola 2.0 será lançado em 4 de maio, em cerimônia com ministros e autoridades. Detalhes preliminares devem ser antecipados pelo presidente em pronunciamento já no Dia do Trabalhador, em 1º de maio. A iniciativa chega em ritmo acelerado, com a equipe econômica finalizando os últimos pontos.

Segundo interlocutores do governo, Fazenda e ministros mais ligados à base política enfim chegaram a um acordo sobre o uso do FGTS no programa. A decisão prevê que o Fundo Garantidor de Operações (FGO) aporte ao menos R$ 8 bilhões para cobrir possíveis inadimplências, e a expectativa interna é de que cerca de R$ 7 bilhões sejam liberados do FGTS para viabilizar as renegociações.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, segue em conversas diretas com o presidente, e fontes indicam que ajustes — inclusive com instituições financeiras — ainda podem ocorrer até o lançamento. A opção por recorrer ao FGTS e mobilizar o FGO tem potencial para acelerar adesões, mas também suscita questionamentos sobre precedentes na gestão de recursos de poupança social.

No Planalto, a leitura oficial é política: o aumento do endividamento das famílias tem pressionado a avaliação do governo, e o Desenrola 2.0, junto com recentes medidas trabalhistas, foi escalado como resposta com horizonte eleitoral. Resta saber se o pacote, ao oferecer alívio imediato, conseguirá equilibrar custo fiscal, responder a críticas e traduzir-se em ganhos sólidos na opinião pública.