O governo federal prepara para o feriado do Dia do Trabalho uma nova versão do programa Desenrola, destinada a refinanciar dívidas de consumidores. A pressa do Planalto em lançar a medida antes das eleições indica prioridade em oferecer alívio econômico de curto prazo e tentar frear desgaste político entre eleitores que sentem o aperto financeiro.

Segundo relatório do Banco Central, em fevereiro o equivalente a 29,7% da renda das famílias já estava comprometido com o pagamento de dívidas — um recorde na série histórica. A proposta em estruturação prevê o uso de recursos do FGTS para viabilizar o resgate e medidas de elegibilidade, incluindo restrições a beneficiários que usam ganhos em casas de aposta, para evitar gastos improdutivos do socorro.

Economistas consultados pela cobertura apontam que a iniciativa terá efeito imediato sobre fluxo de caixa das famílias, mas pouco resolve problemas estruturais do mercado de crédito: alto custo de intermediação, juros ainda elevados e uma dinâmica de crescimento apoiada no consumo. Em suma, trata-se de um paliativo capaz de reduzir pressão eleitoral, não de corrigir a fragilidade do endividamento doméstico.

Politicamente, o Desenrola pode reduzir tensões no curto prazo, mas não elimina o risco de reação negativa se o alívio for percebido como temporário ou insuficiente. A oferta de medidas complementares — já sinalizadas pelo governo — reforça a estratégia de entregas pontuais até outubro, o que complica a narrativa oficial caso a desaceleração do nível de endividamento não se materialize.