O governo lançou o Desenrola Fies direcionado a cerca de 1 milhão de estudantes com parcelas em atraso há mais de 90 dias. Diferentemente de renegociações anteriores, que costumavam limitar-se a perdoar juros e multa, o programa oferece um desconto de 12% sobre o valor principal para quem quitar a dívida à vista — uma escolha que muda radicalmente os incentivos no mercado do crédito estudantil.

Na prática, a opção de desconto sobre o principal faz com que inadimplentes, ao renegociar, possam desembolsar menos do que quem pagou as parcelas em dia. Mesmo preservando a possibilidade de refinanciamento em até 150 parcelas, a vantagem financeira imediata para quem deixou de pagar cria uma assimetria difícil de justificar do ponto de vista fiscal e de justiça entre devedores e adimplentes.

O ministro da Fazenda afirmou que, a pedido do presidente, o governo avalia mecanismos de estímulo para quem sempre honrou os pagamentos, mas esse aceno futuro não elimina o impacto político e econômico da medida atual. A decisão acende alerta sobre risco moral: programas que premiam a inadimplência tendem a estimular novos calotes e a complicar o controle das contas públicas.

Além do custo fiscal — devido ao desconto efetivo e ao potencial aumento de renegociações — a manobra amplia desgaste político para a gestão, que terá de justificar a ausência de prêmio imediato aos adimplentes e calibrar uma resposta para reduzir reação negativa entre estudantes e contribuintes. A equação técnica do programa traduz-se, assim, em custo político concreto e em pressão por compensações futuras.