O governo do Distrito Federal encaminhou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pedido de acesso às quebras dos sigilos bancário e fiscal do Banco Master e do Fundo Reag Investimentos. Na petição apresentada na quinta-feira (10), a administração local afirma haver "indícios e evidências" de crimes praticados contra o Banco de Brasília e pede a restituição imediata de bens ligados ao Master.
Relatórios da Polícia Federal apontam sinais de que o BRB negociou a transferência de R$ 12,2 bilhões ao Master na operação para aquisição de supostos "ativos podres" do grupo controlado por Daniel Vorcaro. A proposta foi rejeitada pelo Banco Central e hoje tramita no STF como investigação por fraude. O presidente do BRB à época, Paulo Henrique Costa, está preso preventivamente. O tamanho exato do rombo nas contas do DF, porém, ainda é desconhecido.
Além de buscar a identificação dos recursos, o Distrito Federal quer obrigar a União a avalizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para socorrer o BRB. O governo de Celina Leão (PP) chegou a fechar acordo com a União que previa garantias dos grandes bancos, mas a operação enfrentou obstáculos e não avançou, ampliando a incerteza sobre soluções imediatas.
O pedido ao STF acende alerta sobre o risco fiscal para o DF e sobre o custo político da gestão do banco público. Se comprovados desvios e corroboradas as quebras de sigilo, haverá base para ações de recuperação patrimonial; até lá, a investigação segue como retrato do momento — e impõe pressão sobre autoridades federais e locais para demonstrar capacidade de resposta.