Uma pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, realizada com a Offerwise nas 27 capitais, revela que 35% dos consumidores que planejam presentear no Dia das Crianças já acumulam contas atrasadas. Outros 16% admitem não saber de onde sairão os recursos para a compra. O resultado desenha um eleitorado-consumidor com margem limitada para despesas extras e propenso a estratégias que estendam o aperto financeiro.

A inflação ajuda a explicar a dificuldade: o IPCA de setembro subiu 0,82% no mês e acumula 4,58% em 12 meses. Um levantamento do CECON/FECAP baseado no IPCA‑15 aponta alta de 4,38% na cesta de presentes em 12 meses, mas com diferenças relevantes por item — consoles subiram 13,52%, chocolates 12,92%, brinquedos 4,02% e bicicletas recuaram 1,79%. Essas variações influenciam diretamente a decisão de trocar ou manter o presente pedido.

Segundo o levantamento, 56% dos que pretendem comprar afirmam que optariam por um presente mais barato caso falte dinheiro à vista ou limite no cartão; 41% planejam parcelar e 22% aceitariam dividir mesmo sabendo que isso apertaria os meses seguintes. Para famílias já com inadimplência, assumir novos compromissos tende a atrasar a regularização das dívidas e a reduzir recursos disponíveis para Black Friday e Natal — o que pode transformar vendas de outubro em canibalização do consumo nas datas seguintes.

Do ponto de vista do varejo e da economia doméstica, a combinação de contas em atraso, escolhas por produtos específicos e a opção pelo parcelamento acende um alerta: há espaço para alavancar vendas, mas também para agravar o endividamento. Pesquisadores consultados pela CECON esperam preços próximos aos níveis atuais até o Natal, com eventuais descontos na Black Friday, enquanto executivos da CNDL veem chance de recuperação nas vendas, mas alertam para o risco de maior aperto financeiro das famílias.