O comércio varejista de São Paulo deve registrar R$ 82 bilhões em faturamento no mês de maio, orientado pelo Dia das Mães, segundo levantamento da FecomercioSP. A entidade projeta alta de 3% em relação a 2025 — R$ 2,7 bilhões a mais — e prevê que a capital paulista responda por R$ 26,1 bilhões, variação de 2% sobre o ano anterior.
A Federação aponta que o avanço apoia‑se em um quadro mais favorável do mercado de trabalho e na elevação da renda dos trabalhadores. Ainda assim, o ritmo de crescimento é limitado. Juros em patamar elevado, inflação desconfortável e o alto comprometimento da renda influenciam a decisão de compra e tornam o consumo dependente de crédito pelo que a própria FecomercioSP define como "comprometimento da renda por vários meses".
O panorama macro se reflete em números do Banco Central: em fevereiro, o comprometimento de renda das pessoas físicas alcançou 29,7% e o endividamento das famílias atingiu 49,9%, níveis recordes citados pela Federação. No varejo, isso deve resultar em desempenho mais fraco para bens duráveis — eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento projetam as menores altas (1% a 2%) — enquanto cosméticos, vestuário e supermercados apresentam as maiores variações, entre 3% e 6%.
Para a FecomercioSP, o Dia das Mães segue sendo data relevante, sobretudo para presentes tradicionais e serviços; porém, o cenário evidencia limites estruturais ao crescimento do consumo. A combinação de custos financeiros elevados e elevada alavancagem das famílias pressiona margens do comércio e reduz espaço para recuperação mais robusta das vendas.