O Dia dos Namorados manteve em 2025 seu peso no comércio brasileiro: o e-commerce registrou alta de 7,1% no faturamento entre 6 e 12 de junho, ante 4,6% do varejo físico, segundo o ICVA. O aumento de pedidos é uma oportunidade clara para micro e pequenas empresas, mas traz riscos que podem anular o ganho de receita se custos logísticos e práticas operacionais não forem revistos.

Especialistas consultados apontam que sem um mapeamento preciso do custo do frete, políticas claras de logística reversa e parcerias com transportadoras de capilaridade nacional, o crescimento das vendas tende a pressionar margens e caixa. Representantes do setor destacam que trocas e devoluções crescem em paralelo às vendas, exigindo tanto estrutura quanto regras transparentes para evitar perda de confiança do consumidor.

Para converter o aumento de demanda em resultado positivo, gestores precisam agir em quatro frentes: 1) mapear custos totais do frete e incluí‑los na precificação; 2) negociar tabelas e prazos com transportadoras; 3) revisar estoques e lead times para reduzir rupturas; 4) estabelecer logística reversa clara e comunicar prazos e responsabilidades ao cliente. Sem essas medidas, a equação ‘vender mais’ corre o risco de virar ‘lucro menor’ ou prejuízo.

Além da pressão sobre margem, há impacto reputacional. Entregas atrasadas, falta de rastreio e tratamento inadequado de devoluções elevam reclamações e custos com atendimento, reduzindo a probabilidade de recompra. Para pequenas e médias empresas, a receita extra de datas sazonais só vale se vier acompanhada de disciplina financeira e ajustamento operacional — caso contrário, o efeito pode ser justamente o oposto.