A Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta que o Dia dos Namorados de 2026 deve movimentar cerca de R$ 2,84 bilhões, um crescimento de 2,5% sobre a mesma data em 2025. Se confirmada, será a melhor performance em valores brutos desde 2018 e mantém a data entre as principais janelas comerciais do ano.
A entidade atribui a recuperação ao dinamismo do mercado de trabalho e à melhora na renda média, fatores que ampliam o volume real disponível para consumo. O quadro, porém, é marcado por níveis elevados de endividamento e por condições de crédito ainda desfavoráveis, que limitam a sustentabilidade do crescimento e tornam os ganhos de curto prazo mais frágeis.
No mix de presentes, vestuário, calçados e acessórios devem responder por cerca de 40% do total (≈R$ 1,1 bilhão). Perfumaria e eletroeletrônicos somam outros 43%, com perfumaria estimada em R$ 875 milhões (alta de 8%) e eletrônicos em R$ 346 milhões (alta de 4,3%). A CNC aponta alta média de preços em torno de 5% e chama atenção para o aumento de 22,7% no preço do chocolate. Bebidas e celulares, ao contrário, devem registrar leves quedas.
O cenário abre um dilema para o varejo: crescer sem sacrificio excessivo de margem ou apostar em volume com promoções que podem corroer lucro. Para as famílias, a combinação de preços em alta e endividamento acende alerta sobre o poder de compra real. No curto prazo a data deve injetar receita no comércio, mas os limites do crédito e a inflação expõem fragilidades que podem condicionar resultados futuros.