A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) projeta R$ 4,45 bilhões em vendas para o período do Dia dos Pais, entre 31 de julho e 9 de agosto. O número chama atenção pelo tamanho absoluto, mas o crescimento esperado é de apenas 1,3% em relação a 2025. O ticket médio previsto é de R$ 218,26, ante R$ 215,39 do ano passado, e o fluxo de visitantes deve crescer 1,1%.

Apesar de 76% dos shoppings se declararem otimistas e 74% esperarem vender mais que no ano anterior, os dados apontam para expansão moderada. A combinação de aumento marginal no faturamento, no gasto médio e na circulação indica que o Dia dos Pais continua relevante, mas não traduz aceleração do consumo entre os brasileiros.

Na prática, empreendimentos reforçam a aposta em experiências — música ao vivo e espaços temáticos — para aumentar permanência e conversão. Promoções do tipo “compre e ganhe” aparecem em 37% das respostas, contra 27% no ano passado. Houve também mudança na preferência: calçados lideram (84%), seguidos por vestuário (78%), artigos esportivos (74%), perfumaria (70%) e relógios e acessórios (64%).

O recado para o setor é claro: há demanda, mas contida. Resultado é cenário de menor margem de manobra para varejistas, que precisam equilibrar promoções e rentabilidade, ajustar estoques e focar em eficiência operacional. Para a economia mais ampla, os números reforçam que a recuperação do consumo permanece frágil e sujeita a variações, exigindo atenção das empresas quanto ao mix de preços e aos custos de promoção.