A Polícia Federal afirma que o Banco Digimais operou uma sistemática de superavaliação de ativos para mascarar insolvência e ludibriar investidores, o regulador e o sistema de garantias. A atuação foi alvo de operação nesta terça-feira (23) e, segundo os autos, tinha por objetivo viabilizar captações além da capacidade real do balanço.
Os investigadores apontam que o banco passou a ofertar Certificados de Depósito Bancário (CDB) com remuneração superior a 110% do CDI, ao mesmo tempo em que mantinha exposição relevante a carteiras do extinto Banco Master. A liquidação extrajudicial do Master, em novembro de 2025, teria deixado cerca de R$ 600 milhões ligados a ativos cuja qualidade e documentação passaram a ser questionadas.
A Corretora ID aparece como peça central: administradora de fundos que teria inflado cotas para que o Digimais apresentasse maior patrimônio e, assim, justificasse a emissão massiva de títulos. Especialistas ouvidos pela reportagem descrevem o mecanismo como tentativa de burlar parâmetros de capital, como o Índice de Basileia, e de criar um verniz de solvência artificial.
Além do risco direto a investidores de varejo e ao Fundo Garantidor de Créditos (que cobre aplicações até R$ 250 mil), a investigação traz implicações institucionais: reforça a necessidade de apuração rigorosa, expõe falhas de controle e pode resultar em acusações por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas previstas na Lei nº 7.492/1986. O caso segue em investigação pela PF.