As taxas dos DIs registravam movimentos discretos na manhã desta segunda-feira, divididas entre forças domésticas e externas. Às 10h, o DI para janeiro de 2028 estava em 13,79%, alta de 1 ponto-base em relação ao ajuste anterior; no fim da curva, o DI para janeiro de 2035 recuava 3 pontos-base, a 14,56%.

Do lado local, duas pesquisas divulgadas nesta manhã mostram um segundo turno mais apertado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. O levantamento AtlasIntel/Bloomberg aponta 47,1% para Lula e 42,6% para Flávio; o BTG/Nexus traz 46% a 45%, em empate técnico. A leitura do mercado é direta: menos probabilidade de vitória folgada do atual governo tende a reduzir prêmio político e pressionar para baixo dólar e juros.

Em contrapartida, o cenário externo puxa na direção oposta. Os EUA realizaram ataque na ilha iraniana de Larak e o Irã respondeu com disparos contra posições norte-americanas na região, elevando o Brent para acima de US$ 90 o barril e empurrando rendimentos dos Treasuries de longo prazo — o título de 10 anos subia a 4,756% e o de 30 anos a 5,252% — além de sustentar alta do dólar.

O resultado é um mercado em equilíbrio frágil: pesquisas eleitorais acendem alerta sobre custo fiscal e estratégia do governo, mas choques externos impõem um piso para queda de taxas. Para investidores e gestores da dívida, a leitura é clara — a combinação de incerteza política e riscos geopolíticos mantém a volatilidade e complica a trajetória de descompressão do custo do crédito no Brasil.