Uma piada de Jimmy Kimmel sobre a primeira-dama Melania Trump, exibida no programa noturno da ABC, acendeu uma crise para a Walt Disney e para seu recém-empossado presidente-executivo, Josh D'Amaro. A Casa Branca pediu publicamente que a emissora demitisse o comediante após o comentário — que Kimmel disse ter sido mal interpretado e negou ser um apelo ao assassinato. O episódio voltou a colocar em xeque o balanço entre liberdade de expressão e responsabilidades de um conglomerado de mídia.

A crise ganhou dimensão institucional porque, segundo fonte à Reuters, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) deve ordenar a revisão das licenças de oito emissoras da ABC de propriedade da Disney. O presidente da FCC, Brendan Carr, já vinha considerando antecipar revisões que estavam agendadas apenas para 2028. Para a Disney, discussões sobre licenças significam mais do que um problema de imagem: representam risco regulatório direto sobre ativos de transmissão e margem de manobra política.

No plano econômico, a decisão de D'Amaro terá implicações visíveis. Optar pela demissão atenderia à pressão política imediata e poderia reduzir atritos com reguladores; mas também exporia a empresa a críticas internas e no mercado criativo sobre censura e independência editorial. Defender Kimmel, por outro lado, preservaria credibilidade com talentos e parte da audiência, ao custo de potencial desgaste regulatório e repercussões institucionais.

Este é o primeiro grande teste do presidente-executivo desde que assumiu em março. A Disney, que não comentou o caso após tentativa de contato, precisa calibrar uma resposta que minimize custos políticos e econômicos sem sacrificar sua posição como plataforma de conteúdo. A tensão entre regras do mercado, exigências regulatórias e liberdade de expressão promete reverberar nas próximas decisões da empresa.