O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que a dívida pública total ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, chegando a US$ 40,047 trilhões. O montante inclui US$ 32,266 trilhões em títulos do Tesouro detidos pelo público e US$ 7,782 trilhões em participações intragovernamentais, segundo o relatório diário de saldos.
O salto é histórico: a dívida mais que dobrou desde janeiro de 2017, quando estava em US$ 19,95 trilhões. Cerca de um terço desse aumento ocorreu durante os dois anos de respostas fiscais à pandemia, com emissão intensa de títulos. O restante reflete escolhas de política fiscal posteriores e desequilíbrios persistentes entre receitas e despesas obrigatórias.
O mercado reagiu ao aumento da oferta. Rendimentos de títulos de longo prazo subiram às maiores patamares em quase duas décadas, e leilões recentes sinalizaram menor apetite por parte de investidores externos, que detêm parcela relevante da dívida americana. Em resposta, o Tesouro ampliou operações de recompra de títulos de 10 a 30 anos para tentar estabilizar os prêmios de prazo.
Especialistas e grupos de fiscalização alertam que os custos crescentes com juros e programas como Previdência Social e Medicare podem sufocar investimentos e ampliar o custo do serviço da dívida. Politicamente, o quadro pressiona legisladores a escolherem entre elevar impostos, cortar gastos ou ambos — decisões que terão impacto direto no crescimento e na confiança dos investidores.