O estoque da Dívida Bruta do Governo Geral alcançou 80,1% do PIB em março, equivalendo a R$ 10,4 trilhões, segundo o relatório 'Estatísticas Fiscais' divulgado pelo Banco Central. O indicador avançou 0,9 ponto percentual na comparação com fevereiro e voltou ao maior patamar desde julho de 2021, quando chegou a 80,3% do produto.
O BC atribui a evolução mensal a quatro fatores: juros nominais apropriados (+0,9 p.p.), emissão líquida de dívida (+0,4 p.p.), efeito da desvalorização cambial (+0,1 p.p.) e a variação do PIB nominal, que atuou pela redução do indicador (-0,5 p.p.). A Dívida Líquida do Setor Público subiu para 66,8% do PIB (R$ 8,6 trilhões), avançando 1,3 ponto percentual no mês.
No fluxo, o setor público consolidado — União, estados, municípios e estatais — registrou déficit de R$ 80,7 bilhões em março, o maior resultado negativo para o mês desde o início da série histórica, em 2002. O dado interrompe a sequência de superávits observada nos dois últimos anos para março e sinaliza piora nos saldos fiscais no curto prazo.
O quadro aumenta a pressão sobre a sustentabilidade das contas públicas e acende alerta para encargos futuros: juros e nova emissão respondem pela maior parte da alta recente. Para quem defende responsabilidade fiscal, os números complicam a agenda de ajuste e elevam o custo político e econômico de postergar medidas corretivas. Em termos práticos, a combinação de dívida em alta e déficits recorrentes restringe espaço para políticas anticíclicas e exige definição clara de prioridades orçamentárias.