As maiores economias do planeta enfrentam um dilema fiscal que tende a crescer: em quase todos os países do G7 a dívida pública está em níveis próximos ou superiores à produção anual, e os custos de financiamento subiram depois da pandemia e da guerra na Ucrânia. O recente recrudescimento do conflito no Oriente Médio voltou a elevar riscos de inflação e empurrou para cima os rendimentos em mercados europeus — com destaque para o Reino Unido, onde o juro de títulos de 10 anos alcançou em março níveis não vistos desde 2008.

A combinação de juros mais altos e um prêmio de prazo ampliado reflete não só a política monetária mais restritiva, mas também mudanças na demanda por ativos de longo prazo: bancos centrais têm reduzido sua presença nos mercados, enquanto seguradoras e fundos de pensão compram menos. Para administrar a conta, vários governos trocaram parte da dívida por papéis de vencimento mais curto, estratégia que reduz custo imediato mas aumenta exposição a um ciclo de juros positivo e o risco de refinanciamento mais caro num futuro próximo.

O custo maior do serviço da dívida tem consequências concretas. Pagamentos de juros vêm aumentando como parcela do PIB na maioria dos países do G7 e, segundo dados da OCDE, já superaram gastos com defesa em 2024. Esse fenômeno engessa orçamentos, reduz espaço para investimentos em infraestrutura, saúde e políticas de mitigação das mudanças climáticas e impõe escolhas políticas duras. A perspectiva demográfica — envelhecimento populational — e demandas crescentes por gastos com defesa e clima tornam a trajetória sustentável difícil sem ajustes estruturais.

Politicamente, o quadro amplia pressão sobre governos: a necessidade de consolidar contas pode levar a cortes impopulares ou a aumento da carga tributária, com custo eleitoral para incumbentes. A alternativa — postergar ajustes e depender de juros baixos — deixou de ser viável. Em última instância, sem mudança de rumos na gestão fiscal, reformas e prioridade por eficiência, países ricos correm o risco de ver a performance macroeconômica e o padrão de vida comprometidos por conta do encarecimento da dívida e da menor capacidade de resposta a choques.