A comissão mista do Congresso abriu os trabalhos para analisar a medida provisória que extingue a chamada "taxa das blusinhas"; o relatório está previsto para votação na próxima segunda‑feira (31), às 16h. No debate público, especialistas questionam a capacidade da medida de promover uma recuperação do varejo.
Em entrevista ao mercado, José Faria Júnior, CEO da Wagner Investimentos, afirmou que a taxação reduziu efetivamente parte das compras externas, mas não se traduziu em aumento visível das vendas do varejo formal. Para ele, o impacto direto sobre grandes cadeias e sobre o comportamento agregado do comércio foi limitado.
O executivo destacou que a maior pressão sobre o consumo vem de fatores macro: inflação de alimentos, custo elevado do crédito e endividamento das famílias. Cerca da parcela de consumidores que usava compras no exterior para complementar renda foi mais diretamente afetada, enquanto milhões permanecem comprometidos com o rotativo e juros altos.
Além do quadro macroeconômico, há uma mudança estrutural no setor impulsionada por plataformas digitais como Amazon e Mercado Livre, que reconfiguraram hábitos de compra. Para especialistas, a MP pode ter alcance restrito diante desses desafios: reduzir uma tarifa não substitui políticas voltadas ao crédito, à renda e à adaptação do varejo à concorrência online.