O dólar renovou recuo e fechou a R$ 4,97 na tarde de segunda-feira (13), marcando a primeira vez abaixo de R$ 5 desde março de 2024. Especialistas consultados destacam que a desvalorização do dólar frente ao real em 2025 e parte de 2026 — com queda acumulada de dois dígitos no ano passado e retração adicional até fevereiro — é consequência direta do diferencial de juros e do retorno de fluxos estrangeiros para ativos brasileiros.
Com a taxa Selic em 14,75% e juros reais próximos de 9,51%, o Brasil segue competitivo para investidores que buscam rendimento em um ambiente global incerto. Essa combinação explica por que capital dolarizado tem migrado para títulos públicos, ações e setores ligados a commodities, puxando o real para cima. Analistas como Leonardo Santana e Virgílio Lage apontam patamares prováveis entre R$ 4,80 e R$ 5,20, dependendo da persistência desses fatores e da percepção de risco.
A continuidade do movimento, contudo, não é automática. O Copom se reúne entre 28 e 29 de abril e o mercado já opera com a expectativa de cortes graduais, o que pode reduzir parte do diferencial atrativo ao longo do tempo. Mais relevante politicamente é a aproximação de 2026: eleições presidenciais costumam elevar volatilidade e os especialistas alertam que deterioração das contas públicas — por aumento de gastos ou perda de disciplina fiscal — seria o principal gatilho para uma reversão e nova pressão de alta sobre o câmbio.
Do ponto de vista prático, um dólar mais fraco alivia a pressão inflacionária de curto prazo e reduz custos de importação, mas também pode gerar desconforto para exportadores e setores mais expostos ao câmbio. Para o governo e formuladores de política, o desafio será transformar a janela favorável em confiança estrutural: manter equilíbrio fiscal e previsibilidade nas regras é condição para que a tendência de apreciação do real se sustente além do efeito temporário dos juros elevados e do apetite estrangeiro.