O dólar ganhou força perante o real na manhã desta sexta-feira, alcançando R$ 5,12 por volta das 12h, após o Departamento do Trabalho dos EUA divulgar criação de 172 mil vagas em maio — bem acima das projeções. Em reação, o Ibovespa recuou 0,16%, em um pregão morno que marcou o retorno do feriado de Corpus Christi.
O número de empregos reforçou a expectativa de que o Federal Reserve manterá uma postura mais rígida, elevando os rendimentos dos Treasuries e fazendo com que o mercado futuro passasse a ver 65% de chance de alta de juros em dezembro, ante 48% antes da divulgação. Esse movimento internacional de aperto tende a encarecer o custo de capital global e pesará sobre ativos emergentes, incluindo o real.
No Brasil, a reação do câmbio amplia o custo de importação e pressiona a inflação núcleo, complicando o cenário para políticas que dependem de juros mais baixos. Investidores avaliam que a combinação de juros internacionais mais altos e incertezas geopolíticas — com novos episódios na região do Oriente Médio — reduz o apetite por risco e favorece dólar e títulos americanos.
Entre os papéis locais, a Embraer teve desempenho positivo após anúncio de nova encomenda pela Azorra, mas o destaque isolado não foi suficiente para contrabalançar as vendas. O quadro atual exige atenção do governo e do setor privado: juros mais altos lá fora implicam custos maiores para financiamento e investimentos no país, e podem frear a retomada esperada do crescimento.