O dólar à vista terminou o pregão em queda de 1,12%, a R$ 4,9123 na venda, o menor fechamento desde 26 de janeiro de 2024. Em 2026 a moeda acumula baixa de cerca de 10,5% ante o real. Na B3, o Ibovespa fechou em alta de 0,62%, aos 186.753,82 pontos, com as ações da Ambev entre as principais contribuintes após resultado trimestral acima do esperado.
O dia foi marcado pela combinação entre a temporada de balanços corporativos, que trouxe alívio para papéis cíclicos, e a leitura da ata do Copom. O Banco Central manteve tom cauteloso ao avaliar riscos vindos da guerra no Oriente Médio, mas a percepção de que a taxa de juros se mantém restritiva reforçou operações de carry trade e atração de recursos para ativos locais.
Analistas destacam que a valorização do real foi impulsionada tanto por fluxos comerciais — beneficiados por termos de troca ainda favoráveis — quanto por fluxo financeiro motivado pelo diferencial de juros. No exterior, o petróleo encerrou em queda, o que aliviou temores inflacionários, embora a rota do Estreito de Ormuz siga como foco de incerteza para preços e oferta.
Do ponto de vista econômico, a combinação entre câmbio mais forte e juros elevados tende a reduzir pressão sobre a inflação, mas mantém o custo do crédito doméstico e sustenta ganhos de curto prazo nos mercados. Para investidores e calibradores de política, a mensagem é clara: há espaço para ganhos cambiais sustentados por fluxos, mas riscos externos e a duração do ciclo de juros permanecem determinantes.