O dólar abriu o primeiro pregão após as eleições em forte alta: às 9h30 a moeda avançava 12,52%, cotada a R$ 5,60, enquanto o contrato futuro do Ibovespa com vencimento em 16 de dezembro de 2026 chegou a cair 17,07% por volta das 09h40 (INDZ26). O recuo acentuado nos preços das ações reflete uma avaliação imediata de maior risco político e incerteza sobre a agenda econômica futura.
A B3 reagiu ao movimento ampliando os limites inferiores de oscilação diária dos contratos futuros para até -20% — havia inicialmente fixado limite de queda em -15% e voltou a alterar em função da volatilidade. Ajustes dessa natureza visam frear circuit breakers espontâneos, mas também sinalizam que as ordens de venda superaram rapidamente a liquidez disponível no pregão eletrônico.
Os juros futuros acompanham o estresse: contratos DI para janeiro de 2021 subiram 182 pontos-base, alcançando 14,46%, e os para janeiro de 2027 chegaram a 14%, com alta de 54 pontos-base. O salto nas taxas aumenta o custo do serviço da dívida e pressiona expectativas sobre a necessidade de ajuste fiscal — um efeito direto sobre o espaço de manobra do próximo governo e sobre o bolso do cidadão.
Mais do que oscilações momentâneas, o quadro expõe fragilidades: mercado mais caro e volátil encarece projetos, investimentos e eleva o prêmio de risco do país. Para agentes públicos e investidores, o sinal é claro: haverá pressão por clareza nas prioridades fiscais e sinais concretos de compromisso com a estabilidade financeira caso se queira conter o repasse do choque cambial à economia real.