O dólar iniciou a terça com variações contidas no mercado doméstico, em dia marcado por intervenções programadas do Banco Central e por um ambiente externo favorável à moeda americana. Às 9h27 a moeda à vista cedia 0,26%, sendo negociada a R$ 5,1366. Na segunda-feira a divisa havia encerrado com alta de 0,49%, a R$ 5,1490, refletindo um movimento recente de fortalecimento do dólar frente a muitas moedas.

Na manhã, às 9h20, o BC abriu um ‘casadão’: leilão de venda à vista de US$ 1 bilhão juntamente com um leilão de swap cambial reverso também de US$ 1 bilhão (20.000 contratos). Mais tarde, às 11h30, está prevista a rolagem regular com oferta de 50.000 contratos de swap tradicional para 1º de outubro. Medidas desse tipo visam dar liquidez e amenizar oscilações, mas também mostram que o banco central permanece ativo no mercado para administrar fluxos abruptos.

Além das operações cambiais, fatores domésticos polêmicos seguem no radar: a corrida presidencial e novas pesquisas eleitorais, somadas à sessão do STF, mantêm a atenção dos investidores sobre riscos políticos. Esse cenário tende a aumentar a sensibilidade do câmbio a eventos noticiosos, reduzindo a margem de manobra de operadores e elevando a probabilidade de movimentos pontuais no curto prazo.

Para o mercado, o desafio é conciliar ações técnicas do BC com um calendário político carregado. Intervenções podem mitigar pressões temporárias, mas não substituem a necessidade de disciplina fiscal e previsibilidade institucional — elementos que, se ausentes, prolongam a instabilidade e podem traduzir-se em custos maiores para empresas e consumidores. A expectativa até o fechamento do pregão é por manutenção da volatilidade e por leitura cuidadosa das próximas pesquisas e decisões judiciais.