O dólar operou em alta nesta segunda-feira, sustentado pela demanda por ativos considerados refúgio diante do aumento das tensões internacionais. Por volta das 16h50 (Brasília) o índice DXY avançou 0,37%, a 102,589 pontos; o dólar era cotado a 158,657 ienes, o euro valia US$ 1,1158 e a libra recuava a US$ 1,3209. A moeda americana ficou próxima da máxima de 18 meses durante a sessão.
O movimento foi impulsionado por dois focos de risco: as dúvidas sobre o anúncio do presidente americano sobre um cessar‑fogo energético entre Rússia e Ucrânia e novos episódios de violência no Oriente Médio. O presidente ucraniano informou que uma usina de energia em Kharkiv foi atingida logo após a declaração sobre o cessar‑fogo; simultaneamente, os Houthis promoveram ataques contra um aeroporto em Riad, na Arábia Saudita.
Analistas entrevistados pelo mercado apontam que o fortalecimento do dólar tende a persistir enquanto a economia dos EUA mantiver ritmo de crescimento e a inflação ficar acima da meta, sustentando expectativas de aperto adicional pelo Federal Reserve. O relatório de CPI dos EUA, previsto para quarta‑feira, é visto como fator capaz de provocar movimentos de curto prazo na direção da moeda. Além disso, as negociações aconteceram em dia de feriado no mercado de títulos dos EUA, o que limitou parte da liquidez.
Para a economia brasileira, a combinação de dólar mais forte e petróleo em alta traz efeitos palpáveis: pressiona custos de importação e combustíveis e pode complicar o quadro inflacionário no curto prazo, reduzindo espaço para acomodação da política monetária. Em termos políticos e fiscais, um cenário prolongado de câmbio apreciado exige ajustes na gestão de preços administrados e na comunicação da equipe econômica — sinais que o mercado acompanha com atenção.