O índice Dow Jones fechou em nova máxima histórica nesta quarta-feira, subindo 263,18 pontos para 54.349,06, numa sessão marcada por notícias geopolíticas e balanços corporativos díspares. O S&P 500 recuou 0,17% (7.723,52) e o Nasdaq Composite caiu 0,83% (26.363,44), interrompendo a sequência de alta do mercado de tecnologia.

No centro da reação, relatos sobre um acordo proposto entre Irã e Omã — que daria a Teerã maior controle sobre embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz — pressionaram para baixo o preço do petróleo e os rendimentos dos Treasuries, alimentando a esperança de menor pressão inflacionária. Ainda assim, analistas e investidores se mantiveram cautelosos, exigindo sinais concretos antes de considerarem o movimento sustentável.

Os resultados corporativos explicaram a divergência setorial. A SpaceX registrou forte expansão de receita e redução de perdas, impulsionadas por Starlink e investimentos em IA, mas as ações caíram cerca de 13,6% diante de dúvidas sobre a sustentabilidade dos gastos e com o término do período de restrição pós-IPO. A AMD projetou receita acima das estimativas, mas suas ações recuaram 7% enquanto o mercado procura evidências de aceleração de crescimento por conta dos investimentos em IA. Por outro lado, Amgen (+4,6%) e Eli Lilly (+4,9%) ajudaram o Dow, com desempenho sólido no setor de saúde; a Disney também contribuiu positivamente.

Do lado macro, o crescimento da folha de pagamento privada desacelerou em julho, segundo a ADP, e o índice ISM do setor não manufatureiro ficou em 54,1, abaixo da expectativa de 54,5, mas ainda em zona de expansão. O conjunto dos sinais sustenta uma leitura de mercado que privilegia números concretos: queda do petróleo e rendimentos aliviam cenário inflacionário e podem reduzir a pressão por novos ajustes do Fed, mas o fim do bloqueio de ações e a necessidade de confirmação sobre o progresso diplomático mantêm a volatilidade como fator de risco.