O ministro da Fazenda, Dario Durigan, deixou claro que o governo não pretende compensar empresários com benefícios fiscais caso avance a proposta de acabar com a escala 6x1. Em participação em programa de rádio, Durigan condicionou o debate a soluções de transição para setores específicos e anunciou que irá ao Congresso para tratar o tema na comissão especial.

Durigan chamou atenção para o perfil dos trabalhadores afetados: cerca de três em cada dez ocupados estão na escala 6x1 e, entre esses, 80% recebem até dois salários mínimos. Para o ministro, a mudança busca reconhecer ganhos de produtividade e ampliar o descanso semanal — passando de um para dois dias — sem reduzir salários.

Como alternativa à desoneração ou benefícios fiscais, a Fazenda apresentou um conjunto de medidas para facilitar a adaptação das empresas: melhora de acesso a crédito para pequenas empresas, expansão de fundos garantidores, e programas de qualificação profissional via Senac, Sesi e Senai. O ministro citou ainda que a desoneração da folha no passado não atingiu os objetivos esperados.

A posição da Fazenda sinaliza tentativa de conciliar responsabilidade fiscal com acomodação social, mas também antecipa disputa política. Ao rejeitar compensações tributárias, o governo evita pressões sobre receitas, mas abre margem para resistência de setores como comércio e agropecuária, que podem demandar exceções. O tema tende a ganhar centralidade no Congresso e a testar a capacidade do Executivo de construir transações políticas sem aumentar o custo fiscal.