O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na noite de terça-feira (9) ser favorável ao fortalecimento do Banco Central por meio da PEC 65, que prevê autonomia orçamentária e financeira para a instituição. Ao mesmo tempo, advertiu que é necessário cuidado para que, "sob o pretexto" de reforçar o BC, outras regras sem ligação direta com o objetivo principal não sejam incorporadas ao texto, o que poderia comprometer a proposta.
Conforme reportagem do Broadcast, a equipe econômica do governo trabalha em alternativa que manteria o BC como autarquia, mas com maior autonomia na gestão de seus recursos. A PEC 65 é o primeiro item da pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (10). O presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA), garantiu que a matéria será votada, enquanto o relator, Plínio Valério (PSDB-AM), afirmou não pretender acolher alterações substanciais.
Durigan declarou que vai tentar dialogar com o relator para ajustar pontos do texto e evitar a aprovação de um projeto considerado ruim. O episódio expõe a tensão entre o Executivo e o Legislativo sobre o desenho institucional do BC e sobre quem define os limites da autonomia — um debate que tem implicações diretas para credibilidade da política monetária e para a gestão fiscal.
Do ponto de vista político, a conjunção de uma PEC com voto marcado na CCJ e uma alternativa do Planalto amplia a pressão sobre a base governista: ou há espaço para negociações rápidas que preservem o núcleo da proposta, ou a tramitação pode servir de palco para emendas que mudem o alcance da medida, gerando desgaste e incerteza institucional nas próximas semanas.