O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista que a guerra no Oriente Médio é um dos principais motores da pressão inflacionária observada no país. Segundo o governo, o conflito levou à elevação dos preços de produtos agroindustriais, químicos e combustíveis, reverberando nas expectativas e complicando a condução da política de juros.

Durigan rechaçou críticas de que o aquecimento de preços seria resultado do aumento de gastos públicos e defendeu que o arcabouço fiscal vigente mantém o controle das despesas. Ele também sustentou que programas direcionados a setores específicos — como linhas de crédito para motoristas de aplicativo e caminhoneiros — não têm efeito macroeconômico relevante sobre a inflação.

No diagnóstico do ministro está a combinação de choque externo com fatores estruturais domésticos: baixa poupança, funcionamento do mercado financeiro e expectativas que sustentam taxas de juros historicamente elevadas. A leitura oficial alivia a responsabilidade direta do governo sobre o repique inflacionário, mas não elimina o impacto real sobre juros e crescimento. Se os choques externos persistirem, o Banco Central tende a manter uma postura mais rígida, com custo para a atividade. Para o Planalto, a defesa do arcabouço fiscal vira argumento-chave para evitar que a narrativa crítica sobre gastos públicos ganhe tração na arena política.