O ministro da Fazenda, Dario Durigan, responsabilizou o governo do Distrito Federal pelo rombo de cerca de R$ 8,8 bilhões no Banco de Brasília (BRB), ao afirmar que a obrigação recai, em especial, sobre o chefe do Executivo local que autorizou as operações com o Banco Master. A fala, dada em entrevista à revista Veja, marca o tom da União sobre quem deve responder politicamente e financeiramente pelo colapso patrimonial da instituição.
Durigan classificou como inaceitável o pedido — feito pelo GDF — para que a União assumisse ou enfrentasse diretamente as perdas do BRB. A reação do Ministério da Fazenda reforça a linha de defesa do governo federal: não haverá repasse direto de recursos da União nem garantia federal para cobrir o rombo. O acordo costurado prevê, em vez disso, um empréstimo de R$ 6,5 bilhões obtido por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com contragarantia de um sindicato de grandes bancos e uso de fundos do próprio Distrito Federal como garantia.
Parte do pacote prevê a capitalização do BRB com até 16% da receita corrente líquida do DF — volume estimado em torno dos R$ 6,5 bilhões necessários para recompor o patrimônio do banco — e prazo de até 15 anos para o empréstimo, com dois anos de carência. As tratativas avançaram após audiência de conciliação conduzida pelo ministro do STF, Luiz Fux. A solução técnica evita transferência direta de recursos federais, mas transfere parte do risco para as contas do GDF e para mecanismos de garantia do sistema financeiro.
Além do impacto fiscal imediato sobre o Distrito Federal, as declarações de Durigan têm dimensão política. O fato de o governador na época das operações, Ibaneis Rocha, ter deixado o cargo em abril para concorrer ao Senado intensifica o escrutínio público e eleitoral. A responsabilização atribuída pela Fazenda coloca pressão sobre a imagem administrativa do GDF, levanta dúvidas sobre controles e governança do banco regional e reforça a necessidade de apuração técnica e responsabilidades concretas para recuperar liquidez e credibilidade do BRB.