O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em Washington, durante as reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, que o novo programa de renegociação de dívidas do governo poderá ser apresentado em fases, atendendo três frentes: famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas. Segundo ele, o anúncio já está pronto e depende apenas do aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durigan detalhou que o foco inicial será a redução de dívidas em linhas caras, como cartão de crédito. A estratégia prevista é mobilizar garantias do Tesouro para que os bancos possam conceder descontos e, em seguida, refinanciar o saldo a taxas menores — com cobertura pública em caso de inadimplência, nas palavras do ministro.

Do ponto de vista fiscal e político, a proposta abre sinais que merecem atenção. Garantias do Tesouro transferem risco ao setor público e podem implicar custo orçamentário futuro, especialmente se o volume de concessões for elevado. Ao mesmo tempo, uma solução efetiva para dívidas de consumo teria impacto direto na capacidade de consumo das famílias e poderia trazer ganhos políticos ao governo.

A decisão sobre o calendário ficará com o presidente: Durigan disse que, se Lula determinar, o anúncio pode ocorrer já na próxima semana. Resta, porém, conhecer detalhes cruciais — critérios de elegibilidade, estimativa de custo, mecanismo preciso de compartilhamento de risco com os bancos e salvaguardas para evitar distorções de mercado. Sem essas informações, o programa corre o risco de gerar alívio pontual sem resolver vulnerabilidades estruturais do crédito ao consumidor.