Brasília — Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o cenário fiscal do país melhorou ao longo do tempo e pediu cautela antes de atribuir ao fiscal a responsabilidade exclusiva pelo atual patamar de juros. Para o ministro, a ligação entre saúde das contas públicas e taxa básica é apenas parte da explicação.

Durigan listou fatores que, segundo ele, aumentam a pressão por juros mais altos: o diferencial de juros e câmbio em relação a outras economias, padrões de poupança pública e privada e elementos históricos que sustentam um prêmio por risco maior no país. Na visão do ministro, esses vetores têm natureza estrutural e não se resolvem apenas com ajuste fiscal.

A declaração tem efeito político e econômico direto: ao reduzir o espaço para culpar apenas o desempenho fiscal, o governo perde um argumento simples para exigir cortes mais rápidos da Selic. Ao mesmo tempo, amplia a necessidade de articular medidas sobre câmbio, incentivos à poupança e reformas que ataquem causas de longo prazo — um desafio técnico e político que não se resolve apenas com discurso.

Na prática, a mensagem sinaliza aos mercados e ao eleitorado que a queda de juros dependerá de combinação de fatores, e não apenas de melhoria relativa das contas públicas. Para investidores e tomadores de decisão, isso implica manter expectativas mais moderadas sobre redução rápida do custo do crédito e reforça a urgência de políticas coordenadas para reduzir prêmios e baratear o financiamento.