O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a reunião entre os presidentes Lula e Trump deve tratar de uma agenda que mistura segurança, comércio e indústria: combate ao crime organizado, tarifas, o Pix, desmatamento e os chamados minerais críticos. A declaração transforma um encontro bilateral em teste de credibilidade para a política econômica e ambiental do governo.
Ao admitir que há "dúvidas nos Estados Unidos" sobre o Pix, Durigan sinalizou a necessidade de blindar o sistema frente a questionamentos externos — e eventuais restrições comerciais. Acordos recentes entre aduanas, segundo o ministro, já ampliam a troca de informações para combater o crime transnacional; mas a cooperação também pode trazer exigências adicionais de conformidade que afetam operações de empresas e fluxos de pagamento.
No tema dos minerais críticos, Durigan defendeu princípios de soberania: reconhecimento como bem da União e processamento no país, não apenas exportação de matéria‑prima. A posição tende a agradar setores nacionalistas, mas complica a narrativa pró‑mercado do governo: exigir processamento local pode atrapalhar investimentos e elevar custos, a menos que venha acompanhado por regras claras e incentivos atrativos.
O encontro com os EUA é, portanto, uma oportunidade e um risco político. Por um lado, o governo pode usar dados recentes de queda do desmatamento para melhorar a imagem internacional; por outro, sair do encontro sem propostas concretas sobre tarifas, segurança e mineração pode ampliar incertezas sobre comércio e indústria. Durigan deixou claro que Brasília quer dialogar — resta ver se haverá convergência entre soberania, atração de investimentos e cumprimento de compromissos internacionais.