O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chega a Paris com uma pauta clara: mineração de minerais críticos, atração de investimentos e medidas para conter os impactos econômicos da guerra no Oriente Medio. Convidado da reunião de ministros das Finanças do G7, ele pretende apresentar ao bloco o projeto de lei em tramitação que trata dos chamados minerais críticos e estratégicos, ao mesmo tempo em que promove programas como o Eco Invest para mostrar o Brasil como destino seguro para capital estrangeiro.

Durigan definiu duas diretrizes inegociáveis para a exploração: soberania da União e estímulo à industrialização, evitando que o país se limite a exportar commodities. Esse discurso busca atender a uma demanda legítima de valor agregado, mas expõe um nó político e técnico: como garantir transferência de tecnologia, participação nacional e atrair capital privado sem abrir mão de controle regulatório? A resposta dependerá do texto final do projeto e da capacidade do Executivo de convencer o Congresso sobre garantias e salvaguardas.

Na agenda ministerial também entram os efeitos da guerra no Oriente Médio. Durigan destacou a troca de experiências com europeus que têm usado subsídios limitados e isenções tributárias sobre combustíveis para atenuar choques inflacionários. Essas medidas podem reduzir impacto imediato sobre preços, mas têm custo fiscal e exigem calibragem para não ampliar a pressão sobre as contas públicas — um ponto sensível para um governo que se apresenta preocupado com estabilidade macroeconômica.

Além das discussões econômicas, o ministro terá encontros bilaterais sobre inteligência artificial e transição energética, e verá representantes do setor privado e da sociedade civil. No palco do G7 Durigan tenta costurar duas narrativas: a de um Brasil aberto a investimentos e a de um Estado que preserva controle estratégico. O desafio será transformar esse discurso em instrumentos legais e fiscais críveis, sob o olhar atento de mercados e do Legislativo.