O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em Washington que a investigação aberta pelo USTR nos termos da Seção 301 não pode se transformar em um espetáculo destinado a validar a imposição de tarifas contra o Brasil. A declaração reforça a preocupação de autoridades brasileiras de que a pauta, mesmo após diálogos técnicos, continue a ser instrumentalizada por interesses protecionistas.
Durigan disse esperar que os pontos apresentados pelo Brasil — incluindo explicações sobre Pix e outros temas levantados pelo USTR — sejam considerados de forma substantiva. Apesar de avaliar reuniões recentes como produtivas, autoridades brasileiras mantêm a percepção de que a administração americana pode, independentemente do mérito das respostas, usar a investigação como justificativa política para medidas tarifárias.
Na agenda em Washington, o ministro afirmou ter tratado com a equipe do Tesouro americano de inteligência artificial, stablecoins e cooperação internacional, deixando a Seção 301 fora das reuniões diretas com o secretário do Tesouro. Durigan também buscou ampliar parcerias sobre minerais críticos, condicionando a relação à incorporação de tecnologia e à agregação de valor no Brasil, em vez da simples exportação de insumos.
Além das negociações comerciais, o ministro comentou medidas domésticas: a integração semanal com FMI e Banco Mundial para mitigar efeitos da guerra no Irã e o plano de renegociação de dívidas para famílias e empresas. Sobre este último, Durigan garantiu que não haverá gasto primário adicional, mas não detalhou como a 'mobilização da garantia' evitará impacto nas contas públicas — ponto que exige esclarecimento diante do risco fiscal.