O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em entrevista que a taxa básica de juros, hoje em 14,5% ao ano, está muito acima do aceitável e aumenta fortemente o custo de rolar a dívida pública. O reconhecimento público marca um tom crítico em relação ao atual patamar da Selic e sinaliza preocupação com a sustentabilidade fiscal.
Durigan afirmou que a situação o incomoda e que o governo tem buscado medidas para amenizar efeitos sobre estados e municípios. Segundo o ministro, em vez de bloquear recursos de governadores, a solução passou por negociar um acordo para dividir os custos com o objetivo declarado de preservar o abastecimento de combustíveis — uma opção que mitiga choque imediato, mas transfere pressões para as contas públicas.
O ministro também reconheceu que não existe solução instantânea para a pressão dos juros: a administração federal, afirmou, está no caminho certo, mas precisa aprender com erros passados. Na prática, juros elevados comprimem espaço fiscal, elevam o serviço da dívida e obrigam escolhas entre manutenção de políticas públicas e ajuste orçamentário — uma equação que acende alerta para o governo.
Do ponto de vista político e econômico, o episódio amplia desgaste e complica a narrativa oficial sobre recuperação e controle das contas. A agenda para os próximos meses será acompanhada por decisões do Copom, evolução da inflação e capacidade do Executivo de combinar disciplina fiscal com medidas que reduzam o custo do crédito sem aprofundar o impacto sobre serviços essenciais.