O presidente Luiz Inácio Lula da Silva delegou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, a responsabilidade de quantificar os potenciais prejuízos ao Brasil decorrentes da decisão dos Estados Unidos de qualificar o PCC e o CV como grupos terroristas. Desde o anúncio, a pasta tem realizado encontros diários com empresários e técnicos para levantar cenários e dados sobre efeitos na economia.
Nas conversas internas, a orientação é transformar análises técnicas em mensagens mais acessíveis para o público. A equipe do presidente entende que o alerta sobre riscos ao Pix — mencionado como exemplo pela comunicação do governo — ajuda a traduzir um assunto complexo, embora simplifique a natureza e a extensão dos impactos apontados pelos especialistas.
Durigan tem sido a face pública do governo no tema: concedeu entrevistas e responde a críticas enquanto prepara material técnico que será apresentado a interlocutores nos EUA. Fontes do Planalto dizem que o objetivo é mostrar ao governo norte-americano como a decisão pode repercutir em fluxos financeiros e na confiança de agentes econômicos, sem ainda prever viagens oficiais a Washington.
A movimentação expõe um dilema político e econômico para o governo: é preciso demonstrar capacidade técnica para mitigar danos e ao mesmo tempo gerenciar a percepção pública. O resultado desse mapeamento poderá influenciar negociações bilaterais, a agenda do Ministério da Fazenda e a narrativa do Executivo sobre prioridades de estabilidade financeira.