Em Washington, durante as reuniões de primavera do FMI, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as medidas adotadas para conter a alta dos preços de combustíveis poderão ser reavaliadas à luz da evolução da guerra no Oriente Médio. Segundo ele, um eventual acordo crível entre Estados Unidos e Irã poderia reduzir a pressão sobre o preço do petróleo e eliminar a necessidade de manter a desoneração de PIS/Cofins sobre o diesel.

Durigan ressaltou que o governo já anunciou uma série de subsídios e ações para diesel, gás de cozinha, querosene de aviação e para garantir preços mínimos de frete rodoviário. Disse também que, por ora, não há novas medidas em estudo, mas não descartou ações adicionais se necessárias, desde que respeitem condicionantes de neutralidade fiscal e aprovação de regras no Congresso.

O ministro anunciou ainda que a Fazenda terá contato semanal com o FMI e o Banco Mundial para acompanhar o impacto das medidas. Perguntado sobre a chamada 'taxa das blusinhas' — imposto de importação sobre encomendas de até US$ 50 — Durigan afirmou não ter tratado alterações nesse ponto; o tema já soma divergência interna, com o presidente Lula considerando a cobrança desnecessária e o vice-presidente Geraldo Alckmin a defendendo.

Do ponto de vista político e fiscal, a declaração coloca sob risco a previsibilidade do custo para os cofres públicos: depender de um desfecho externo para reduzir subsídios amplia incerteza sobre o espaço fiscal e complica a narrativa oficial de controle de gastos. Se a guerra se prolongar, a necessidade de manter ou ampliar socorros ao consumidor pode aumentar pressão sobre a conta pública e sobre o Congresso, que terá papel decisivo na eventual institucionalização das medidas.