O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira que o governo não descarta a edição de uma nova Medida Provisória de socorro aos exportadores, caso os Estados Unidos confirmem a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. A possibilidade remete à MP do Brasil Soberano, editada no ano passado para compensar perdas de empresas exportadoras frente a medidas tarifárias americanas.

Durigan enfatizou, porém, que qualquer ação será tomada com cautela: é preciso primeiro avaliar quais setores seriam efetivamente afetados e qual seria o impacto econômico antes de liberar recursos públicos. A postura sinaliza preocupação com a necessidade de proteger empresas sem, ao mesmo tempo, descuidar da responsabilidade fiscal ou criar distorções permanentes no comércio.

A Fazenda acompanha as negociações junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que mantém contato com representantes dos Estados Unidos. Segundo o ministro, não há informação definitiva sobre a decisão americana, e a recomendação do USTR ainda precisa ser traduzida em medidas concretas para que o governo avalie alternativas e converse com os setores potencialmente prejudicados.

Do ponto de vista político e econômico, uma nova MP traria dilemas: atender demandas de exportadores pode reduzir pressões imediatas sobre segmentos produtivos, mas aumenta o custo para os cofres públicos e expõe o governo a críticas sobre seletividade e eficiência das medidas. Durigan demonstrou disposição para mitigar impactos, mas também deixou claro que a resposta dependerá do desenho final das tarifas e da lista de exceções que venha a ser divulgada.