Em pronunciamento no IMFC, o comitê do FMI, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou a postura do governo em favor da responsabilidade fiscal, crescimento sustentável e estabilidade de preços. A fala ocorre num contexto sensível: o próprio Fundo projetou que a dívida pública do país pode chegar a 100% do PIB já no primeiro ano do próximo governo.

Durigan destacou que o ajuste tem sido gradual e de ‘‘elevada qualidade’’, combinando medidas de receita com revisões e racionalização de gastos. Na sua avaliação, a estratégia fiscal serve como apoio ao crescimento, à estabilidade macroeconômica e à promoção da justiça social. São pontos centrais da narrativa oficial para contrapor o diagnóstico externo.

O ministro também alertou para fatores externos que pesam sobre as perspectivas: a guerra no Oriente Médio, com possível prolongamento, pode manter disrupções em energia e cadeias de suprimentos — fertilizantes e alimentos foram citados — e provocar efeitos sobre inflação e condições financeiras, além do risco de crise humanitária.

A projeção do FMI, mesmo reconhecendo incertezas, tem efeito político concreto: amplia a pressão por um ajuste mais acelerado e reduz o espaço fiscal do próximo governo. Em termos práticos, isso significa escolhas difíceis entre acelerar cortes, frear investimentos ou rever prioridades sociais. Os números do Fundo funcionam como um retrato do momento e acendem um sinal de alerta para mercados e formuladores de política.