Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, elevou o tom sobre a reforma tributária: pediu que o tema seja encarado como um "pacto de Estado" para não perder os ganhos estruturais esperados. Durigan repetiu a estimativa já divulgada segundo a qual a simplificação do sistema poderia elevar o PIB em até 15 pontos percentuais ao longo de 10 a 15 anos, ao reduzir custos de compliance e aumentar a produtividade. O argumento técnico busca transformar uma pauta complexa em uma causa de interesse nacional e de longo prazo.

O ministro também devolveu críticas ao que chamou de desinformação sobre o texto aprovado, afirmando que distorções no debate público prejudicam a compreensão dos efeitos econômicos. A advertência tem caráter tanto técnico quanto político: em ano eleitoral, narrativas equivocadas podem sabotear medidas que demandam continuidade e estabilidade regulatória. Do ponto de vista prático, Durigan colocou a Fazenda em articulação com o MDIC e o Ministério da Saúde sobre a implementação do imposto seletivo, sinalizando que a agenda de regulamentação está em curso.

Restam, porém, desafios políticos e temporais. Durigan afirmou manter diálogo com lideranças do Congresso para viabilizar a aprovação da regulamentação ainda neste ano — meta ambiciosa diante do calendário legislativo e do ambiente de polarização que tende a intensificar debates simplificados. A exigência de converter a base técnica em consenso político implica negociação difícil: se o objetivo é evitar retrocessos eleitorais, será preciso explicar ganhos, distribuir custos e blindar o processo contra boatos que possam minar apoio.

Para além das estimativas de PIB, a mensagem do ministro traz uma leitura política clara: a reforma só entrega benefícios se houver continuidade institucional e regras estáveis para sua implementação. O risco hoje não é técnico, mas político: perda de foco, desgaste na campanha e interpretações erradas que emperrem a regulamentação. Se Durigan quer transformar a promessa em realidade, a Fazenda terá de acelerar articulações, apresentar resultados tangíveis e convencer setores reticentes de que a simplificação vale o custo político imediato.