O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista à CNN que as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil têm caráter de "interferência eleitoral" e não se justificariam do ponto de vista econômico. Segundo o ministro, a lógica comercial entre os dois países — em que o Brasil importa em dólar mais do que exporta para o mercado americano em diversos segmentos — torna incoerente a adoção de sobretaxas que, na visão dele, visam criar sentimento negativo contra o governo brasileiro.

Durigan classificou como injusto o impacto das medidas sobre um país com renda per capita menor e disse que punir o Brasil não faz sentido do ponto de vista da relação bilateral. No relato do ministro, o presidente Lula chegou a buscar canal direto com a Casa Branca para tratar do tema, e o governo brasileiro vem negociando com autoridades americanas: em 31 de agosto houve retomada do diálogo e, em julho, Washington aplicou uma sobretaxa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras — medidas que, segundo o MDIC, atingiram 23% das vendas externas do país.

Além da denúncia de motivação política, o argumento técnico de Durigan abre uma agenda prática: tarifas elevadas pressionam custos para importadores e setores que dependem de insumos em dólar, podem reduzir competitividade de cadeias locais e gerar efeitos fiscais indiretos. No plano político, a acusação complica a narrativa oficial americana e acende alerta no governo sobre a necessidade de equilibrar uma resposta diplomática firme com a preservação da relação comercial e dos interesses dos exportadores brasileiros.

A expectativa do ministro é que, após o processo eleitoral, o debate retorne ao campo técnico e permita solução via negociação. Até lá, a administração enfrenta uma janela de risco: além do custo econômico imediato, a disputa tarifária pode virar ponto de pressão política interna e externalizar choques que exigirão medidas de gestão econômica — exigindo clareza sobre prioridades fiscais e estratégia de apoio aos setores afetados.