O conselho do eBay rejeitou nesta terça-feira a oferta de aquisição apresentada pela GameStop — avaliada em cerca de US$56 bilhões e cotada a US$125 por ação — citando dúvidas concretas sobre a viabilidade do financiamento. A proposta, metade em dinheiro e metade em ações, vinha sendo vista com ceticismo por analistas diante do tamanho relativo das empresas: a GameStop tem mercado estimado em cerca de US$12 bilhões, menos de um terço do eBay.

No pré-mercado, as ações do eBay operavam abaixo do preço ofertado, em torno de US$107, enquanto os papéis da GameStop recuavam quase 4%. Em comunicado, a diretoria do eBay disse não considerar a proposta crível nem atraente e ressaltou que a companhia segue apostando em seu plano de recuperação que tem mostrado sinais de crescimento. O recuo do mercado e a nota do conselho reforçam a percepção de desalinhamento entre as duas gestões.

Do lado da GameStop, o fundador Ryan Cohen afirmou publicamente que poderia levar a disputa diretamente aos acionistas, abrindo caminho para uma oferta hostil. A pressão também se refletiu entre investidores: Michael Burry vendeu sua participação após a proposta, citando riscos de endividamento e diluição. A GameStop aponta sinergias: replicar cortes de custos, usar suas cerca de 600 lojas nos EUA e transformar o eBay em rival mais próximo da Amazon — argumentos que agora terão de sobreviver ao escrutínio financeiro e regulatório.

Além do choque de modelos — marketplace que conecta vendedores sem manter estoque versus varejista que opera inventário físico — a rejeição expõe questões práticas: como financiar uma operação tão grande sem sobrecarregar a compradora, quem arca com a diluição e qual o custo político entre acionistas. Se a oferta evoluir para uma batalha por procuração, ambas as empresas enfrentarão custos adicionais e risco de distração operacional, enquanto os investidores reavaliam valor e governança.