A MRV transformou parte dos canteiros de obra em espaços de aprendizagem com o programa Escola Nota 10, criado em 2011. Gerido pelo Time de Sustentabilidade e com apoio do Instituto MRV&CO e do Alicerce Educação desde 2022, o projeto oferece alfabetização e reforço escolar dentro da jornada de trabalho. Segundo a própria empresa, mais de sete mil profissionais já foram atendidos, houve investimento da ordem de R$ 8 milhões e 239 colaboradores inscreveram‑se no Encceja entre 2023 e 2025.
O formato reduz barreiras clássicas ao estudo — deslocamento, custo e perda de renda — ao levar aulas ao canteiro em horários compatíveis com a rotina dos trabalhadores. Relatos como os do servente Júlio e da meio oficial Natasha ilustram ganhos que vão além da técnica: retomada da autoestima, planos de carreira e metas concretas de certificação. Esses desfechos contribuem para a mobilidade dentro da própria empresa e para ampliar a empregabilidade do trabalhador no mercado.
Apesar dos resultados, há pontos que exigem esclarecimento e ampliação: a MRV informa ter implantado 319 unidades de ensino em todo o país e, ao mesmo tempo, cita a operação de 31 salas de aula em diferentes cidades — discrepância que merece detalhamento público sobre cobertura e funcionamento. Além disso, o alcance de milhares torna‑se modesto diante do tamanho da construção civil e da demanda por educação de jovens e adultos no Brasil, o que coloca na agenda a necessidade de parcerias mais amplas entre empresas, setor público e organizações civis.
A experiência privada aponta um caminho prático para reduzir desigualdades e formar capital humano mais qualificado, com ganhos potenciais para produtividade e retenção de mão de obra. Mas, para que o impacto seja sistêmico, é preciso avaliar custo‑benefício, transparência operacional e possibilidades de escalar iniciativas semelhantes sem substituir a responsabilidade do Estado em políticas públicas de educação de adultos.