A Electrolux informou por meio de sindicatos italianos que planeja demitir 1.700 trabalhadores na Itália — mais de 40% do quadro local — e fechar a fábrica de coifas em Cerreto d'Esi, perto de Ancona. A decisão, comunicada em reunião com representantes sindicais, atinge uma operação que reúne cinco unidades e cerca de 4.500 empregados no país.

A empresa atribui a reestruturação à fraqueza da demanda do consumidor, ao aumento dos custos de produção e à pressão da concorrência de fabricantes asiáticos com preços mais baixos. Desde 2021, as ações da Electrolux acumulam queda expressiva, e a companhia tem buscado reduções de custo, foco em linhas premium e medidas de desalavancagem para recuperar margem.

Os sindicatos metalúrgicos UILM, FIM e FIOM reagiram convocando uma greve de oito horas e solicitaram intervenção do governo, que diz acompanhar o caso. A Electrolux também descartou, segundo os sindicatos, qualquer plano de parceria com a chinesa Midea na Itália — embora tenha fechado acordo com a rival para a América do Norte e anunciado uma emissão de ações para financiar essa operação.

O anúncio expõe um trade-off recorrente: ajustes necessários à rentabilidade versus o impacto social e regional de cortes concentrados. Para autoridades, o episódio levanta questões sobre competitividade industrial e eventuais respostas de política econômica; para a Electrolux, a redução de capacidade pode aliviar custos, mas traz custos reputacionais e políticos no curto prazo. Os números divulgados pelas partes representam um retrato do momento, sujeitando-se a negociações e desdobramentos.