O quinto ciclo do Eloos, realizado no Espaço Ava, em Belo Horizonte, reuniu nesta segunda-feira lideranças políticas e empresariais para discutir os entraves e oportunidades da indústria brasileira. Foram aguardados para a abertura Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, e Tadeu Leite, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, sinalizando atenção institucional ao tema.

O primeiro painel focou nos dois gargalos que historicamente corroem a competitividade do país no comércio exterior: a fragilidade dos mecanismos de defesa comercial frente à concorrência internacional e o persistente “Custo Brasil”. Logística deficiente, malha ferroviária pouco integrada, burocracia e carga tributária elevada aparecem no diagnóstico como pontos que pressionam preços e margens industriais.

Na discussão sobre mercado de trabalho, o debate sobre a proposta de fim da escala 6x1 foi central. Além do impacto imediato sobre custos de operação em setores que ainda dependem de jornadas fragmentadas, o painel trouxe à tona outro problema crônico: o apagão de mão de obra técnica. A escassez de profissionais qualificados limita capacidade de crescimento e adoção de tecnologias mais sofisticadas.

O ciclo fechou com foco específico em Minas Gerais: como transformar um estado de base mineral em plataforma de diversificação industrial, com ênfase em siderurgia avançada, bens de capital, eletromobilidade e tecnologia. A agenda combina desafios de política industrial com necessidade de investimentos em infraestrutura, formação técnica e atração de investimentos privados.

Além de mapear problemas, o encontro expõe um teste político: converter estas discussões em medidas concretas que reduzam custos e qualifiquem a oferta de trabalho. Há consenso sobre diagnósticos; as opções vão implicar escolhas fiscais e administrativas. Para além das palavras das lideranças, o desafio será ajustar prioridades públicas e privadas para transformar potencialidades em resultado econômico real.