As ações da Embraer lideraram o pregão desta segunda-feira, chegando a subir cerca de 7,4% por volta das 11h45 e tocando máxima acima de R$100 — movimento destoante em relação ao Ibovespa, que operou em queda de 0,2%. A reação do mercado acompanha a divulgação do balanço do segundo trimestre e o aumento das estimativas da companhia para 2026.

No relatório enviado ao mercado, a Embraer elevou sua projeção de margem Ebit ajustada para uma faixa entre 10% e 10,6%, acima da previsão anterior de 8,7% a 9,3%. A expectativa para fluxo de caixa livre ajustado foi revisada para pelo menos US$400 milhões, ante a meta anterior de US$200 milhões. A empresa manteve estimativas de entregas (80–85 aeronaves comerciais e 160–170 executivas) e receita entre US$8,2 bilhões e US$8,5 bilhões.

Os números do trimestre reforçaram a leitura otimista: lucro líquido ajustado de R$1,11 bilhão, Ebitda ajustado de R$1,81 bilhão e receita de R$11,34 bilhões, crescimento de 10% ano a ano e recorde para o período. Foram entregues 65 aeronaves (20 comerciais e 45 executivas) — 7% mais que há um ano — e a carteira de pedidos firmes subiu 16%, alcançando US$34,5 bilhões. A empresa também registrou impacto de US$8 milhões por tarifas nos EUA e um crédito tributário extraordinário de US$68 milhões.

Para o mercado, a combinação de lucros mais fortes, maior geração de caixa e backlog recorde reduz incertezas sobre a execução no curto prazo e justifica o prêmio aplicado às ações hoje. Ainda assim, a promessa de ampliar produção para 110–120 aviões comerciais por ano até 2030 dependerá de investimentos e do cumprimento do cronograma de ramp-up — fatores que continuarão a testar a credibilidade da gestão. Em um dia em que o índice amplo recuou, a alta da Embraer sinaliza uma tese de valor específica da empresa, mas não elimina riscos ligados à execução e ao ambiente macro.