As ações da Embraer fecharam em forte queda nesta sexta-feira (8), recuando 11,45% e terminando cotadas a R$ 73,78, após a divulgação do balanço do 1º trimestre de 2026. A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 145,4 milhões, ante R$ 299,9 milhões no mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, o resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado avançou para R$ 749,4 milhões, contra R$ 631 milhões, e a receita subiu para R$ 7,58 bilhões, ante R$ 6,41 bilhões.
A direção manteve as estimativas para 2026: entregas de 80 a 85 aeronaves da aviação comercial e entre 160 e 170 unidades no segmento executivo; receita esperada entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões; margem Ebit ajustada projetada entre 8,7% e 9,3%; e fluxo de caixa livre ajustado de US$ 200 milhões ou mais. As projeções não consideram o desempenho da Eve, subsidiária de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical.
O mercado, no entanto, penalizou a queda do lucro líquido apesar do avanço de receita e Ebitda, promovendo vendas intensas que comprimiram a cotação. A reação indica que investidores estão sensíveis não apenas ao desempenho operacional, mas também à qualidade dos resultados e à volatilidade de itens não recorrentes — fatores que podem reduzir a confiança e elevar custo de capital da empresa.
Para a gestão, a combinação entre números operacionais positivos e lucro menor representa um desafio de comunicação e execução: será necessário explicar as causas do recuo do lucro, mostrar perenidade do crescimento de receita e garantir que o guidance se converta em entregas concretas. Nos próximos trimestres, o mercado acompanhará de perto a evolução do caixa, a conversão do Ebitda em lucro e o impacto eventual da Eve nas contas do grupo.