A movimentação em torno da Embraer na Assembleia Geral da IATA desenha uma empresa em aceleração. Executivos oferecem uma ponte aérea exclusiva com 24 voos entre o Rio e São José dos Campos para mostrar a família E2 a clientes potenciais, enquanto a companhia celebra a marca de 500 aeronaves E2 vendidas e uma carteira de pedidos de US$ 7,6 bilhões. O banco de contratos garante quase cinco anos de entregas, segundo a própria companhia, um trunfo de previsibilidade em um setor volátil.
O argumento comercial é simples e direto: o E2 é, na avaliação da empresa, o jato de corredor único mais eficiente até 150 assentos, com consumo de combustível inferior à concorrência. Num momento de pressão sobre margens do setor, por causa do petróleo e de custos operacionais elevados, essa eficiência vira vantagem competitiva — e ajuda a reduzir a sensibilidade das companhias aéreas às variações do preço do combustível.
Ao mesmo tempo, a Embraer tenta ampliar o peso do segmento de defesa. O cargueiro KC-390 Millennium, apontado como substituto potencial do 'lendário — mas analógico — Hércules americano', tem negociações em andamento com Índia e Estados Unidos. Gomes Neto anunciou a intenção de acelerar a produção; se concretizadas, essas vendas podem elevar receita e diversificar riscos, mas também exigirão escala industrial e parcerias estratégicas.
Há, porém, limites e desafios claros. A empresa admite ainda depender de fornecedores em cadeias que sofreram disrupções, embora note melhora recente. Entrar com força nos mercados indiano e americano também implica lidar com complexidades regulatórias, competição consolidada e exigências comerciais que tendem a estender prazos. Para o investidor e para o país, o resultado prático será a confirmação de que a Embraer não apenas vende aviões eficientes, mas consegue transformar essa vantagem em crescimento sustentável e em ganhos de mercado no segmento de defesa.