Os fundos de ações dos mercados emergentes acumularam entrada líquida de US$ 1,2 bilhão, marcando a sexta semana consecutiva de fluxos positivos, segundo relatório do JP Morgan divulgado nesta sexta-feira. O movimento foi puxado por economias como Taiwan, Coreia do Sul e Índia, com destaque para aplicações via ETFs, que seguem ganhando espaço nos portfólios globais.

Na contramão desse quadro, o Brasil continua a sofrer resgates: houve saída de US$ 1,6 bilhão na semana mais recente, depois de uma retirada de US$ 2,3 bilhões na semana anterior. O banco chama a atenção para o ritmo das retiradas domésticas — até 18 de agosto, o saldo de vendas de estrangeiros na bolsa brasileira alcançava R$ 20,5 bilhões — e rebaixou sua recomendação do país de overweight para neutra.

O JP Morgan alerta que, historicamente, eventos de saída extrema tendem a prolongar resgates: na maioria das ocasiões as retiradas persistiram nos três meses seguintes ao choque, com apenas uma exceção em agosto de 2023. O banco também relativiza ligações diretas entre esses fluxos e o calendário eleitoral, apontando maior correlação com fatores externos, sobretudo o nível dos Treasuries e a força do dólar.

Para o Brasil, o quadro traduz risco real sobre preço de ativos e custo de financiamento: a combinação de saídas contínuas e reavaliação de recomendação por bancos internacionais pressiona valuation e demanda resposta de política econômica capaz de restaurar confiança. Do ponto de vista prático, a dinâmica reduz margem de manobra para reformas e pode encarecer captações no curto prazo.